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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quarta-feira, 3 de junho de 2015

As Inesgotáveis Riquezas do Sagrado Coração de Jesus (Ensaio em Fase de Conclusão) 4

 

Introdução

Ninguém põe em dúvida a popularidade da devoção ao Coração de Jesus no século dezenove e nas primeiras décadas do século vinte.

Na primeira sexta-feira de cada mês, numerosos fiéis assistiam à Santa Missa e acorriam à Mesa Eucarística. Floresciam as irmandades. Muitas Congregações de Religiosos entregavam-se a essa devoção. O Diretório Católico para a Inglaterra e o País de Gales arrola seis Congregações de homens e dezessete de mulheres que professam sua fidelidade à devoção, de acordo com o nome que ostentam, e muitas outras sociedades, especialmente os Jesuítas, fizeram (e ainda fazem) grandes esforços para difundir a devoção entre o povo.

Infelizmente, temos que reportar o pensamento ao entusiasmo do passado, visto que a devoção arrefeceu sensivelmente nas últimas décadas, até mesmo entre religiosos pertencentes a Congregações do Sagrado Coração de Jesus. Efetuou-se, em 1966, uma pesquisa na Grã-Bretanha e Irlanda. O resultado foi bastante desanimador, pois, os questionários haviam sido encaminhados unicamente a Congregações de Religiosos, cuja espiritualidade enfoca esse culto. Oitenta por cento dos que responderam ao questionário opinavam que a devoção, como era comumente encarada naquele tempo, carecia de atualização para conservar sua força espiritual e importância na Igreja. Os outros vinte por cento achavam-se divididos em grupos iguais. O primeiro grupo estava totalmente satisfeito com a devoção tradicional e o segundo julgava que a devoção estava simplesmente ultrapassada1. Não ficando a situação restrita a este país, facilmente podemos entender porque a Encíclica Haurietis Acquas” defende longamente a devoção contra ataques e porque o melhor livro escrito sobre o assunto, desde a Segunda Guerra Mundial (“O Coração do Salvador”, por Stierli, Rahner e Gutzwiller) começa por um capítulo intitulado “Objeções”...2

Uma Invenção do Século XVII?

Eis uma acusação frequentemente ouvida: Esta devoção não é verdadeiramente baseada na Escritura e na Tradição; surgiu no século dezessete e procede exclusivamente das revelações particulares a Santa Margarida Maria. Isso é uma grave acusação, pois a vida cristã deve encontrar sua última inspiração na Escritura e na Tradição. Revelações feitas a um Santo não são, por si, base suficiente para solidificar uma devoção. Considerando o assunto de capital importância, estudemos as raízes que esta devoção encontra na Escritura e na Tradição3.


Breve Histórico

A devoção para com o Sagrado Coração de Jesus tem o seu gérmen na origem da humanidade.

Foi no Paraíso, depois da queda primitiva de Adão e Eva, que o Filho de Deus recebeu, pela primeira vez, o justo tributo da veneração e de amor.

Apresentado e prometido por Deus mesmo ao gênero humano, como Redentor, suspiravam por Ele incessante e ardentemente todas as nações. Com seu Nascimento, exultaram de alegria os descendentes de Adão, por virem realizados os seus votos. Desde esta data gloriosa surgiu e foi-se desenvolvendo, rapidamente, a devoção para com o Divino Coração.

O Fundador do Cristianismo ainda não havia instituído os Santos Sacramentos, nem lançado os alicerces inabaláveis destinados a sustentar o edifício grandioso da Igreja Católica, e já se venerava e adorava o seu Sagrado Coração. Já naquele tempo, era este o objeto do amor entranhado da Virgem Mãe de Deus e de São José.

Anjos do Céu aparecem cá na terra convidando os homens a renderem ao Salvador recém-nascido as suas homenagens. Aos coros angélicos se unem os bons pastores, os três Reis Magos do Oriente, porfiando em testemunhar os sentimentos de fé e confiança, de gratidão e respeito, de submissão e amor ao Sagrado Coração de Jesus. Ao contemplá-lO, todos ficaram cativos e extasiados.

E, com efeito, o que há de mais nobre e sublime, se acha concentrado no Amantíssimo Coração de Jesus, como na sua fonte original. O seu amor transcende todos os afetos, por mais puros que sejam. Símbolo tocante, imagem perfeita e personificação do amor infinito de Deus para com os homens é o seu Sagrado Coração.

Nele habita a plenitude da Divindade, estão encerrados todos os tesouros da ciência e sabedoria e o Pai Eterno pôs Nele todas as suas complacências, é portanto, digníssimo de louvor, veneração e adoração.

No reino glorioso do Céu, não há um só Santo, que não houvesse sido devoto do Sagrado Coração”.4

O Novo Testamento: Torrentes de Água Viva

Desde os primórdios do Cristianismo, o Coração transpassado de Cristo foi contemplado como um símbolo de Sua personalidade íntima, principalmente, de Seu amor. Essa Tradição origina-se, preponderantemente, de duas passagens do Evangelho de São João, a saber 7, 37-39; 19, 31-37.

No capítulo sete, São João nos relata os acontecimentos da Festa dos Tabernáculos. Era um dia de ação de graças pela safra. Num país semelhante à Palestina, com suas imensas regiões semi-áridas, isso resultava num agradecimento pela chuva. Nesse dia, as cerimônias no Templo lembravam aos judeus um acontecimento semelhante e particularmente extraordinário, a saber, a intervenção de Deus no deserto do Sinai, quando outorgou a Moisés o poder de produzir água, ferindo a rocha5, e destarte salvou seu povo que estava morrendo de sede.

Nosso Senhor observava as cerimônias e subitamente disse à multidão que tudo isso realizar-se-ia n'Ele mesmo: 'Se alguém tiver sede, venha a Mim, e beba o que crê em Mim!' Pois, a Escritura afirmou isto de Mim: 'Correrão do seu seio rios de água viva'6. E, se alguém não entendesse que essa água é o Espírito Santo, São João acrescenta: 'Referia-se ao Espírito que haviam de receber os que acreditassem n'Ele'7.

Em outras palavras, o Espírito de Deus brotará do Coração de Cristo como água viva, de uma fonte. Como a água traz nova vida à terra ressequida, salvando a colheita e o povo que dela depende, assim Jesus, o novo Moisés, trará salvação para Seu povo. Durante as cerimônias desse dia de ação de graças, os sacerdotes cantavam as palavras de Isaías: 'Com alegria haurireis a água nas fontes da salvação'8. Aqui, no meio deles, estava quem fora esperado, há tantos anos, quem traria salvação por Sua Morte e Ressurreição.

Do Lado Aberto

Há uma íntima relação entre o texto citado e a cena descrita por São João no capítulo dezenove. Lá vemos o Coração de Jesus transpassado, saindo Sangue e Água de Seu lado. Lemos: 'Um soldado lhe transpassou o lado com a lança, e, no mesmo instante, saiu Sangue e Água. Aquele que viu dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro. E ele sabe que diz a verdade, a fim de que também vós acrediteis. Pois, tudo isso sucedeu para que se cumprisse a Escritura: 'Nenhum osso lhe será quebrado'. E a Escritura diz também: 'Contemplarão aquele que transpassaram'9. Notemos como São João nos afirma ter presenciado tudo isso com seus próprios olhos. Não apenas para ressaltar que Cristo morreu realmente. A Bíblia de Jerusalém observa: 'A importância do acontecimento é destacada por dois textos da Escritura. O Sangue mostra que o Cordeiro foi verdadeiramente imolado para a salvação do mundo; a Água, símbolo do Espírito, mostra que o Sacrifício é rico manancial de graças'. E assim, o Prefácio da Missa do Sagrado Coração possui verdadeira inspiração bíblica quando anuncia: 'Torrentes de amor e graças brotaram do lado aberto'.

A Tradição

Os Primeiros Séculos: Nas obras de Santo Irineu, Bispo de Lyon, morto em 202, encontramos a referência mais antiga ao mistério do Coração de Cristo. Era ele discípulo de São Policarpo de Esmirna, o qual, por sua vez, conhecera pessoalmente a São João. Ele escreveu: 'A Igreja é o manancial de água-viva que mana do Coração de Cristo para nós. Onde estiver a Igreja, aí estará também o Espírito de Deus, e onde estiver o Espírito de Deus, aí estará a Igreja e toda a graça. Mas o Espírito é verdade. Portanto, quem não participar deste Espírito não é alimentado no seio da Mãe Igreja e não pode beber da fonte cristalina que emana do Corpo de Cristo'.

Alguns dos antigos Padres desenvolveram mais amplamente essa ideia. A água-viva torna-se o símbolo de todos os dons que de Cristo vem até nós: os Sacramentos, e até mesmo a Igreja.

A Idade Média: A Idade Média acrescenta um elemento muito pessoal e subjetivo à doutrina. As ideias dos Teólogos moveram os Místicos medievais a uma veneração pessoal do Coração de Cristo. Descobriram, no lado aberto, o coração do esposo ferido com amor; e as dádivas que fluem deste Coração eram consideradas dádivas do amor pessoal de Cristo. Grandes místicos e Santos, como Bernardo e Boaventura, Gertrudes e Matilde, Alberto Magno, Suso, Catarina de Sena, e, mais tarde, os Cartuxos, praticaram essa devoção com grande fervor e entusiasmo.

Pelo fim da Idade Média, a contemplação do Coração alanceado de Cristo começou a difundir-se entre o povo mais simples. Tudo corria maravilhosamente. É digno de nota que a Companhia de Jesus, então recentemente fundada, foi fortalecida por uma devoção sempre maior ao Coração de Cristo. Foi isso bastante providencial, pois, preparou o terreno e favoreceu a missão de Santa Margarida Maria”.10

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus Cristo não era inteiramente desconhecida, quando Nosso Senhor a revelou à Santa Margarida Maria Alacoque.

No século XIII, Santa Gertrudes e Santa Matilde a haviam praticado com grande fervor, após terem recebido a respeito revelações sensíveis de Nosso Senhor, e mencionaram-na nos seus escritos. Nos séculos seguintes Jesus Cristo favoreceu ainda diversos Santos com a visão de Seu divino Coração, os quais praticaram também esta devoção, relatando às vezes nas suas obras as graças que haviam recebido.

São Francisco de Sales, que fundou em 1610, com Santa Joana de Chantal, a Ordem da Visitação de Santa Maria, tinha uma ardente devoção ao Sagrado Coração de Jesus, do qual fala diversas vezes em seus escritos.

O Bispo de Coûtance, na Normandia, dedicou em 1688 a igreja de seu Seminário aos Corações de Jesus e de Maria; o Padre J. de Galliffet relata a respeito o seguinte, no seu notável livro 'L'excellence de la dévotion au Coeur adorable de Jésus-Christ':

'Nela foi celebrada separadamente, com grande solenidade, a Festa destes Sagrados Corações, com Oitava e Ofícios próprios: e nela foi estabelecida, com o título dos Corações de Jesus e de Maria, uma Confraria que o Papa Clemente X já permitira erigir com uma Bula de indulgências, datada de 4 de outubro de 1674 e que só foi publicada em 1688'11.

São João Eudes pediu e obteve em 1674, por seis Breves do mesmo Papa Clemente X, a autorização de celebrar separadamente a Festa dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, para as igrejas de sua Congregação, 'com permissão de erigir nelas Confrarias com o título dos Sagrados Corações de Jesus e Maria'12.

A Ordem de São Bento, na França, começava também a celebrar naquela época essa mesma Devoção, com Missas e Ofícios próprios, e o mesmo faziam os Irmãos Menores da Grande Província de França, com um Ofício particular13.

Desde várias décadas, muitos Arcebispos e Bispos vinham concedendo aprovações pastorais relativas à Devoção, ao Ofício e à Festa dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, todos eles confirmados por um legado 'a latere', e mesmo pela Santa Sé Apostólica14.

Constata-se pois, que as revelações de Nosso Senhor a Santa Margarida Maria, para a instituição da Devoção ao Sagrado Coração, foram feitas numa época em que os católicos começavam a aspirar por esta devoção”.15

Devoção Franciscana16

Entre os franciscanos, como em toda a Igreja, o culto ao Coração de Jesus teve duas origens: alguns chegaram a ele através da meditação privada da Paixão; outros, através da revelação bíblica ou particular.

No século XII, os teólogos transmitiram a tradição da Teologia do Coração de Jesus. Nos séculos seguintes (XIII e XIV), essa planta cresceu e tornou-se uma árvore. Esse desenvolvimento foi preparado por uma grande devoção à Paixão de Cristo, por um amor especial ao apóstolo João e por um grande número de comentários sobre o Cântico dos Cânticos. Os grandes responsáveis por isso foram os franciscanos, as religiosas de Helfta e os dominicanos. Vamos nos ocupar agora com os franciscanos.

A Ordem Seráfica contribuiu muito para a preparação e propagação do atual culto ao Coração de Cristo. Isso aconteceu no longo período de transição da idade patrística até as ‘revelações’ de Margarida Maria, com afirmações de ordem doutrinal, ascética e devocional, que se inserem particularmente no apogeu da devoção mística medieval (1250-1350) e constituem, para a própria ordem, a base das sucessivas manifestações e práticas de piedade. Dois fatos suscitaram e favoreceram essa contribuição: a espiritualidade e devoção de são Francisco à humanidade de Cristo, particularmente aos mistérios da Paixão, e a renovação desses mistérios na própria vida do Patriarca estigmatizado – dois fatos novos e inspirantes que mantiveram a atenção dos franciscanos voltada para o Redentor e para são Francisco.

A representação característica de são Francisco abraçado pelo crucificado e querendo beijar-lhe a chaga do lado (pintura de Murilo) encontrou, assim, uma feliz correspondência na apaixonada contemplação franciscana dos sofrimentos e das cinco chagas de Cristo, especialmente da chaga do lado. Dessa contemplação, aconteceu uma passagem, fácil e natural, ao próprio Coração de Cristo, em si mesmo e como símbolo do amor e fonte de toda a graça. Podemos dizer que uma devoção explícita ao Coração de Jesus nasceu no ambiente de espiritualidade cristocêntrica e de misticismo criado em torno às ordens beneditina e franciscana.

O franciscano São Boaventura, no seu Itinerarium Mentis in Deum, guia do coração do peregrino em seu itinerário em busca de Deus, afirma que o único caminho para o Pai é um grande amor ao Senhor crucificado. Esse amor deve levar a uma verdadeira comunhão de corações, com Cristo e os irmãos. E no seu livro Vitis Mystica, encontramos um primeiro aceno explícito à devoção ao Coração de Jesus: “O Coração de nosso Senhor foi transpassado por uma lança para que através da ferida visível possamos ver a ferida invisível do seu amor”. São Boaventura pode ser considerado um dos primeiros devotos do Coração de Jesus.

Muito cedo, os frades menores fizeram do Coração de Cristo objeto de meditação e pregação, de estudo e ilustração ascético-doutrinal, de invocação e culto, chegando a ver no Coração de Cristo a síntese e a verdadeira meta de toda a sua espiritualidade ligada ao divino Redentor. Com Boaventura, a verdadeira devoção, a espiritualidade e o culto do Coração de Jesus começam a tomar forma concreta na Ordem Seráfica. Ele já falava de um duplo objeto do culto ao Coração de Jesus: o Coração físico e o simbólico. Tratou ainda da finalidade do culto e das práticas devocionais. Afirmou que o objeto desse culto é o infinito amor, a infinita ternura do Coração de Cristo. Que o Coração de Jesus é o símbolo de seu grande amor pela humanidade. É um amor pleno, total e permanentemente novo. Disse também que o nosso amor por Cristo também precisa ser assim, porque a finalidade da devoção ao Coração de Cristo é exatamente a resposta de amor a esse amor do Senhor.

Constata-se assim, as Revelações do Divino Espírito Santo:

Sou Eu que te falei pelos Profetas,
e multipliquei-lhes as visões;
e por meio dos mesmos Profetas
Me descobri (a vós) sob diferentes figuras.
Acaso poderei Eu ocultar a Abraão
o que estou para fazer...
O Senhor Deus não faz nada sem
ter revelado antes o Seu segredo
aos Profetas Seus Servos;
porque (é Ele) quem anuncia
a Sua Palavra ao homem,
(e) o Seu Nome é: Senhor Deus dos Exércitos”17.


1N. Harnan, M.S.C., na Revista do Clero – Clergy Review – 1967, p. 621.
2C. Sondermeijer, S.C.J., “A Devoção ao Sagrado Coração de Jesus em Nossos Dias”, pp. 5-6; Traduzido do inglês por Pe. Otto Seidel, S.C.J., Edições Paulinas, 1975.
3C. Sondermeijer, S.C.J., ob. cit., p. 9.
4“A Vida e o Culto de Santo Antônio”, por Fr. Luiz, O.F.M., 1ª Parte, Cap. XXIII, pp. 238-240; 3ª Edição, Kevelaer Butzon e Bercker Editores Pontifícios, 1907.
5Êxod. 17, 1-7.
6Jo. 7, 38.
7Jo. 7, 39.
8Is. 12, 3.
9Jo. 19, 34-37.
10C. Sondermeijer, S.C.J., ob. cit., pp. 9-14.
11Pág. 25, Paris.
12Pe. J. de Galliffet, op. cit., p. 25-26.
13Pe. J. de Galliffet, op. cit., p. 26.
14Pe. J. de Galliffet, op. cit., p. 132.
15“Compêndio da Vida da Irmã Margarida Maria Alacoque, Religiosa da Visitação de Santa Maria”, pelo Pe. João Croiset, S.J., “Prólogo”, XIII-XV, Tradução do Texto Original Francês por Roberto de Vasconcellos; Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro, 1950.
16http://sagradocoracaobebedouro.com.br/devocao.php
17Os. 12, 10; Gên. 18, 17; Am. 3, 7; 4, 13.


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