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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 24 de dezembro de 2011

O Que São os 'Gemidos Inefáveis'?



O que significam estas palavras de São Paulo:

E assim mesmo o Espírito ajuda também a nossa fraqueza;

porque não sabemos o que havemos de pedir, como convém;

mas o mesmo Espírito ora por nós com gemidos inexplicáveis...” 
 (Rom. 8, 26-27).

Elas querem significar o Dom das Línguas?

 
Resposta dos Erros Modernos

"Você não imagina a importância dessa oração, o seu valor! Por­que não somos nós orando simplesmente. É o Espírito Santo orando em nós! ... Quando você ora no Espírito, Ele está pedindo pri­meiro de acordo com a necessidade; depois, de acordo com aquilo que Deus sabe, com aquilo que Deus quer e sabe ser o melhor. Portanto, a ora­ção em línguas é infa­lível: daí seu va­lor. Com ela, você in­tercede primeiro por si mesmo: louva, agradece, bendiz, mesmo sem estar entendendo o que fala... Somos apenas as vi­trolas, os al­tos-falantes para que o Espírito ore em nós; emprestamos ao Senhor nossa garganta, nossas cordas vocais, nossa língua, nossa boca, para clamar os sons de lou­vor ao Senhor; os sons de súplica, de interces­são, em que o Es­pírito está intercedendo por nós, pelos outros, pela Igreja... O Espírito Santo diz coisas misteriosas que não en­tendemos nem podemos entender, porque são coisas próprias do governo, da direção deste universo, da condu­ção da humanidade. Quando oramos em línguas, não estamos orando apenas por coisas domésti­cas. Claro que oramos também por coisas domésti­cas, por coisas familiares, mas a nossa oração toma uma dimensão muito maior. O Espí­rito Santo está tratando com Deus, em oração com o Pai, com Jesus, coisas próprias da Igreja inteira, do comando da Igreja, do seu governo, do seu direcio­namento; da condu­ção do mundo, dos destinos do mundo, dos destinos das nações”(R. Pe. Jonas Abib, ob. cit., PP. 54, 56, 60, 67, 68).

► “Não entendemos o que dizemos… normalmente as pessoas não compreen­dem o sig­nificado das palavras ou sílabas que dizem quando oram em línguas (por isso S. Pau­lo as chama de ‘gemidos inefáveis’). Isto pode acontecer em um louvor comunitá­rio ou na oração pessoal, ou ainda quando se impõe as mãos sobre alguém e se interce­de por ele em línguas, como mandou Jesus em Mc. 16, 17 ... A coisa mais impor­tante não é ‘sa­ber acerca do Dom de Línguas’, mas vivê-lo! ... o respeito humano e o ra­cionalismo são as maiores barreiras para abrir-se ao Dom... No Dom de Lín­guas não en­tendemos o que dize­mos...”(Emmir Nogueira, ob. cit.).


Respostas dos Ensinamentos Tradicionais da Igreja Católica

Não. Estas palavras não querem significar a Glossolalia, e sim a Graça Atual Interna. Veja­mos:

"A vida da Graça constitui o objeto principal de nossa passagem por este mundo... De manei­ra nenhuma pode haver objeto mais digno de se desejar do que a posse, conserva­ção e aumento da Gra­ça, das Virtudes e dos Dons... Cor­respondendo fielmente às inspirações do Es­pírito Santo, que nos convi­da a prepa­rar-nos para recebê-la, se ainda a não possuímos e a au­mentá-la incessante­mente, se já te­mos a dita de possuí-la... a moção ou a inspiração do Espírito San­to que nos proporciona os meios de dispor-nos para receber a Graça Santifi­cante e para au­mentá-la, uma vez adquirida, chama-se Graça Atual... e para pro­duzir o seu efeito, é necessário que o nosso livre-arbítrio coopere com a sua ação... ad­quirindo assim, a qualidade de Ato Meritó­rio... que dá direito estrito e de justiça à recompensa (eterna)... E quanto trabalhe e se afadigue, em outras cir­cunstâncias, é inútil, de nenhum proveito para merecer a recom­pensa eterna”(R. Pe. Tomás Pègue, O.P., “A Suma Teológica de S. Tomás em forma de Catecis­mo, para uso de todos os fiéis”, Part. II, Secç. 1ª, Cap. XX).

Partindo desse pressuposto, comentamos com o R. Pe. Eusébio Tin­tori, O.F.M.: “O Espírito Santo nos faz rezar com gemidos inefáveis, porquan­to sobrenaturais”; ou seja, por moção ou inspi­ração do Espírito Santo, somos im­pelidos a rezar pelo que mais nos con­vém, em vista da nossa eterna salvação.

E o R. Pe. Matos Soares confirma dizendo: “O Espírito ora por nós, isto é, move-nos a orar”(S. Mat. 10, 20), pondo em nossos lábios palavras inspira­das, de interesse do nos­so corpo, de nos­sa alma e da glória de Deus (cfr. At. 1, 24; 15, 8; I Cor. 4, 5).

E mais claramente, Mons. Ronald Knox expõe assim este ensina­mento: “Ele disse­ra-lhes: ‘Não vos inquieteis com o que haveis de dizer. Quando chegar a hora, não sereis vós que falareis, mas o Espírito do vosso Pai Celestial, (é) que fa­lará em vós’. Foi esse o papel imedia­to do Espírito Santo quan­do veio à terra no dia de Pentecostes – o de iniciar uma nova distri­buição de Dons, tornan­do os Apóstolos capazes de se defenderem quando fossem leva­dos a julgamento nos tribunais. E foi essa a razão pela qual Nosso Senhor lhes prometeu que lhes envia­ria um Paráclito... (que) significa primariamente o Advo­gado que defende no tribu­nal... é esse o primeiro significado de Paráclito... Mas, evidentemente, o seu papel não é só o que re­ferimos. O Amigo na necessidade – é este na realidade o significado da palavra Pará­clito. Ora, pelos escritos de S. Paulo, vemos que o Apóstolo não pensava que o Espírito Santo se li­mitasse a sugerir-nos o que seria oportuno dizer num tribunal: inspira-nos também nas nos­sas orações. Diz ele: ‘O Espírito ajuda a nossa fraqueza. Não sabemos rezar como deve­mos, mas o próprio Espírito faz preces a nosso favor, com murmúrios que não podem ser pro­nunciados’. Assim, já vedes, não temos que pensar na assistência do Espírito Santo como algo de que precisamos, quando temos que falar em público... Preci­samos da assistência do Es­pírito Santo sempre que rezamos. Se encararmos a realidade tal como ela é, compreendere­mos que todas as vezes que dizemos as nossas orações, é o Espírito Santo que reza em nós.

O que nos impede de compreendermos perfeitamente isto, é a nossa difi­culdade em dis­tinguirmos entre as operações Ordinárias e as Extraordinárias do Espírito Santo. Só nos lembra­mos do Espírito Santo quando, através de atuações exteriores, Ele manifesta a sua Presença. Lembre­mo-nos que, quando fomos confirmados, recebe­mos exatamente o mesmo Dom que Nossa Se­nhora e os Apóstolos receberam naquele primeiro dia de Pentecostes. Mas não começamos imedia­tamente a louvar a Deus em Ta­mil ou em qualquer outra língua estranha. Como se explica isto? Ordinariamen­te, o Espí­rito Santo não costuma evidenciar a sua vinda com manifestações ex­teriores fora do normal. Só o faz acidentalmente, quando, por algum moti­vo, há um interesse es­pecial em chamar a atenção para o que está a aconte­cer. Verificamos isto ao lermos as vidas dos Santos. Lemos que, quando estavam a fazer orações, alguns Santos entravam em êxtases du­rante cinco ou seis horas, ficando absolutamente inconscientes do que se passava ao seu la­do. Quando acontecem coisas destas, reconhecemos imediatamente que o Espírito Santo tem que ver com o caso. Mas, quando vós estais ajoelhados a dizer: ‘Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte’, não pensais que o Espírito Santo tenha alguma coisa a ver com isso. Pensais que sois vós sozinhas que estais a rezar, e, mes­mo assim, sem prestardes muita atenção ao que estais a fazer.

O que importa compreendermos (e esforçarmo-nos para isso muito mais do que o fa­zemos) é que até essas orações tão rápidas são, na realida­de, ora­das em nós – se real­mente chegam a ser orações – pelo Espírito Santo. Sem dúvida alguma que muitas vezes vos sentis inquietas e cheias de distra­ções... Mas o mesmo eco de Amor Divino, que des­pertou naquela criação in­forme, quando o Espírito de Deus se moveu sobre a superfície das águas, desperta em vós, quando orais. O vento do Espírito Santo continua a soprar no mundo, e sois como uma cana sussurrando com o vento. O movi­mento, a ativida­de, é na realid­ade Dele, não vossa. Ou, falando mais corretamente, a vossa ativi­dade está unida com a Dele... Todos nós devíamos pedir muito mais ao Espírito Santo, que nos ajudasse. Em parte, a razão que nos leva a não o fazermos é esperarmos demasiado Dele e por isso ficamos de­sapontados. Quando pedi­mos ao Espí­rito Santo que nos mostre o que devemos fazer nesta ou na­quela ocasião, esperamos que uma iluminação repentina e miraculosa nos surja no espíri­to, como se uma voz nos segredasse ao ouvido o que devíamos fa­zer... É provável que, mais cedo ou mais tarde, vos encontreis com um determinado tipo de protestan­tes um tanto excêntricos que falam muito de ‘orientação’ e acham que não deveis fazer ab­solutamente nada, nem sequer atravessar a rua ou com­prar um chapéu novo, sem uma inspi­ração súbita e imprevista de que é von­tade de Deus que façais isso. Eles não acreditam que, se vos decidistes a fa­zer uma coisa depois de refletirdes e raciocinardes, o Espírito San­to possa ter parte nessa decisão. E isso, notai bem, é falta de Fé da parte deles. Pen­sam que o Espírito Santo nunca pode interferir no curso dos aconteci­mentos humanos, sem se manifestar de qualquer modo extraordinário, comunicando às pessoas uma es­pécie de certeza miraculosa do que tem a fa­zer. Eles não acreditam que (Ele) atua tanto de modo Extraordinário, como de modo Ordi­nário.

O papel primário do Espírito Santo não é criar a maravilha de um dia pro­dígio, apare­cendo re­pentinamente em forma de ventos impetuosos e línguas de fogo. Ele é o Amor Eterno, que procede do Pai e do Verbo Divino, que faz sur­gir nas criaturas humanas (a favor delas e sem que elas notem) uma resposta de amor ao Amor Divino que as criou”(“O Credo”, Cap. XVIII).

► “Não possuímos presentemente essa glória porque não estamos ain­da salvos, visto não ter­mos ainda terminado a vida na Graça de Deus; mas a espe­rança nos merecimentos de Jesus Cristo, diz São Paulo, é que nos trará a salva­ção: ‘Pela esperança é que fomos salvos’(Rom. 8, 24). Ele não deixará de nos con­ceder todo o auxílio de que necessitamos para nos salvar, se lhe formos fiéis e perseverantes em suplicar-lhe, segundo a Promessa do mes­mo Jesus Cristo de atender todo aquele que o suplicar: ‘Todo o que pedir, receberá’(S. Jo. 11, 10). Mas, dirá alguém: eu não duvido que Deus se negue a ou­vir-me quando su­plicar-lhe, mas receio que eu não o faça como devo. Não, diz São Paulo, não há motivo para esse receio, porque, quando rezamos, Deus mesmo ajuda a nossa insuficiência e nos faz su­plicar de maneira que sejamos aten­didos: ‘O Espírito ajuda a nossa fraqueza e pede por nós’(Rom. 8, 26). Pede, isto é, faz-nos pedir, explica Santo Agostinho”(S. Afonso Mª de Ligó­rio, “Re­flexões sobre a Paixão de Jesus Cristo expostas às almas devotas”, Cap. IX, Art. 3, Nº 2).

► “Escreve São Bernardo: ‘O Espírito Santo fala-nos tantas vezes quantos bons pensamen­tos tivermos’(“De diversis”, sermo 23, 5; PL. 183, 602). Donde a palavra do Profe­ta: ‘Ouvirei o que o Senhor Deus falar em mim’(Salm. 84, 9); e deste modo eleva o espí­rito para as alturas”(Santo Antô­nio de Pádua, “Obras Completas – Sermões Domini­cais e Festivos”, Vol. I, Ser­mão do Domingo de Pen­tecostes, III, Porto, 1987).

Fonte: Acessar o ensaio "Elucidário sobre o Dom das Línguas" no link "Meus Documentos - Lista de Livros".

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